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Fumo no Recôncavo Baiano: um destaque para as fumageiras - Revista História na Escola n.1

Atualizado: 18 de mar.


A revista “História na Escola” traz, em seu primeiro número, o tema “Fumo no Recôncavo Baiano: um destaque para as fumageiras”. A revista está dividida em sessões, que tem como objetivo apresentar a história das mulheres fumageiras no contexto econômico do fumo no Recôncavo Baiano.

Acesse a revista no link abaixo:


MD-2022-01-HistoriaEscola-Fumageiras
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Inicialmente, é apresentado um dossiê sobre o fumo, discutindo a trajetória do fumo no Brasil e na Bahia. Depois vem a seção de artigos. O primeiro deles, intitulado “A importância econômica do fumo no Recôncavo Baiano” apresenta como o setor fumageiro constituiu uma forte economia no Recôncavo, gerando renda e emprego. Atualmente, a atividade fumageira ainda é presente nessa região, porém sem o mesmo destaque de séculos passados.

O segundo artigo “Atuação feminina na Produção Fumageira: movimento operário, lutas e reivindicações” relata a divisão sexual do trabalho na produção fumageira, em que as mulheres tinham somente a função do trabalho com o fumo, por terem cuidado e delicadeza. Além disso, apresenta movimentos e reivindicações na luta contra a exploração de trabalho e a imprensa operária como motor importante no processo de resistência contra ao sistema.

O terceiro artigo “Resistencia das fumeiras no Recôncavo” vai tratar das resistências das mulheres fumageiras, pois além de desempenharem o papel de chefe de família, encaravam uma jornada de trabalho imensa nas fábricas. Porém, todo esse trabalho executado, da produção à confecção de charutos, era tido pelos mestres e contra mestres como leve, o que fez gerar várias reivindicações de resistência de sindicalismo coletivo e enfrentamento direto, mesmo custando o trabalho e sustento dessas fumageiras.

O quarto artigo, “Perfil socio-racial das charuteiras”, mostra que em sua maioria eram mulheres negras, pobres, chefes de família e operárias. Seu trabalho era menos valorizado do que aquele exercido por homens. Dentro das fábricas, as charuteiras faziam o trabalho manual, como enrolar e armazenar o fumo, considerado algo voltado ao seu gênero. A maioria das charuteiras era analfabeta. Inseridas no contexto de precárias condições de sobrevivência da época, as charuteiras tinham que optar por trabalhar para ajudar no sustento da família, deixando os estudos de lado.

O material apresenta as mulheres fumageiras como protagonistas importantes dentro do contexto de produção de fumo e charutos, destacando Dona Dalva Damiana como umas das mulheres que resistiram às dificuldades sociais e econômicas. Dalva é fundadora do Samba de Roda Suerdieck, que surgiu a partir de cantigas criadas por essas fumageiras como forma de tornar o trabalho menos árduo, contando por meios das cantigas as lutas diárias, pressões de gênero e classe que sofriam nas fábricas.

A discussão baseou-se em bibliografia sobre a história da produção de fumo e charutos no Recôncavo baiano, e sobre as fumageiras. Também usamos fontes históricas como relatos em jornais do cotidiano nas fábricas e manifestações do movimento operário. Com isso o professor pode levar essas discussões para a sala de aula e construir, com a participação dos estudantes, uma análise crítica e um conhecimento histórico sobre o tema.


A revista História na Escola foi elaborada por bolsistas do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID), Subprojeto História, na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB)


Bolsistas: Alessandra Pereira, Carolina Nascimento, Jéssica Prazeres e Lauriele Rodrigues.


Núcleo: Aurelino Ribeiro


Supervisora: Ma. Gleysa Teixeira


Coordenador: Dr. Leandro Almeida


O PIBID contou com financimento de bolsas da CAPES




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