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O sistema ferroviário em Cachoeira e São Félix no Século XIX

O sistema ferroviário em Cachoeira e São Félix no Século XIX - Sequência DIdática


Geferson Santana – Bolsista PIBEX

Leandro Antônio de Almeida – Orientador PIBEX

Publicado originalmente no LEHRB em 11/06/2013



Introdução

O século XIX trouxe para o mundo uma de suas maiores invenções: o sistema ferroviário. A década de 1860 é marcada pela emergência de um sistema de acumulação de capital que ficou conhecido neste período de “capitalismo”. A revolução industrial liderada pela Inglaterra foi a oportunidade para emergência das estradas de ferro, que tenderam a facilitar o aumento da exportação de produtos agrários e minerais, animais e transporte de pessoas. Assim como as forças humanas de homens, mulheres, jovens e crianças, a ferrovia foi mais uma força que alavancou uma época e surgiu bem antes de 1860, alguns especialistas estimam que surgiu na Inglaterra entre os anos 1835 a 1837.


As ferrovias começaram a adentrar o cenário brasileiro a partir da década 1850 quando foi inaugurado o primeiro trecho trafegável no Rio de Janeiro pelo Barão de Mauá. Da mesma forma, a década de 50 também pode ser considerada como o advento do processo da crise econômica no Brasil devido a abolição do tráfico de escravos e outros fatores, os relatórios dos presidentes das províncias sempre citam em dificuldades financeiras neste período. Em São Paulo e Rio de Janeiro, as ferrovias foram usadas para o transporte de produtos agrícolas como o café, passageiros e melhorias de portos, vilas e povoados. Nas duas primeiras províncias citadas fica em evidência o uso desses meios de comunicação para o transporte de café direto para os portos, por outro lado, as ferrovias acabaram se tornando dependentes das dinâmicas desse produto no mercado.


As ferrovias foram sem dúvidas instrumentos importantes na consolidação e fortalecimento da economia do Brasil, e na Bahia as estradas de ferro tornaram-se os principais agentes da reconfiguração do cenário contribuindo para a formação de novas cidades e urbanização de outras a partir de 1860, tomemos como exemplo Cachoeira e São Félix. No tocante a estas duas cidades situadas no Recôncavo da Bahia, as ferrovias não apenas foram agentes de mobilização e aperfeiçoamento do sistema de exportação de produtos oriundos das propriedades dos grandes empresários do sistema agroexportador, mas também estimulou a construção da ponte Dom Pedro II e consequentemente a circulação de pessoas, produtos e animais com mais facilidade, sem contar que quebrou a hegemonia dos vapores na travessia de pessoas de uma margem a outra.

Primeira e segunda aula

Considerando a diversidade cultural do Recôncavo em especial de suas principais cidades Maragogipe, São Félix, Muritiba, Cruz das Almas, Valença, Cachoeira e outras, seria interessante para o (a) docente usar esses espaços como meios que facilitem o ensino e a aprendizagem.


Para iniciar a abordagem sobre ferrovias, e se tratando de cidades como Cachoeira e São Félix, recomenda-se ao professor que leve seus alunos para uma aula de campo (visita ou excursão), se possível, à estação de trem cachoeirana e sanfelista consideradas patrimônios culturais da Bahia..

Roteiro de preparação da visita:

I. Antes de abordar a temática, seria interessante o professor avisar em sala uma semana antes que a duas primeiras aulas sobre ferrovias tem como objetivo a visita de estações e linhas de trem das cidades (Cachoeira e São Félix) e seria conveniente que os alunos pudessem levar câmeras fotográficas e celulares que fotografem e gravem vídeo. Essas imagens poderão ser coladas em seus diários. Caso o professor tenha blog para as turmas referentes a matéria de História seria interessante a postagem deste material.

II. Caberá ao professor ajudar a criar um diário pessoal para cada aluno, criando uma personalização que contemple a temática – é possível encontrar várias imagens de domínio público sobre as estações e linhas de trem do Recôncavo baiano no site do Google.

Estrutura do diário: Na semana anterior a visita, o professor poderá solicitar que os alunos comprem um diário pequeno ou crie um usando a criatividade. A ideia é que os alunos não usem apenas este material para registrar a(s) visita(s), mas para falar de momentos que considerarem importantes durante as aulas referentes às ferrovias.

III. Antes de visitar as ferrovias o professor pode fazer uma breve introdução sobre as estações e a dinâmica do sistema ferroviário na Bahia. Como material de apoio para esta primeira aula pode ser usado o artigo de divulgação histórica As estradas de ferro nos chãos do Recôncavo: Cachoeira e São Félix no século XIX e demais referências bibliográficas indicadas nesta sequência.

Instruções: Após a visita os alunos deverão registrar tudo o que aconteceu, desde a descrição dos locais visitados a ideias e comportamentos que observou.

Terceira, Quarta e Quinta aula

Primeiro Passo: Nos primeiros 140 minutos o professor pode expor em slides imagens do sistema ferroviário no mundo e no Brasil. Os objetivos abaixo devem ser alcançados:

1) Abordar de maneira introdutória o sistema ferroviário europeu, e em especial o britânico, bem como suas ramificações para África, Ásia, Estados Unidos e América Latina.

2) Tratar de falar sobre a introdução das ferrovias no Brasil de maneira mais ampla e sua utilização e influências nas sociedades provinciais do país;

Segundo Passo: Na segunda parte do planejamento com duração de 1hora e 40min

1) Discutir o início da implementação das ferrovias na Bahia, focando em especial a cidade de Cachoeira e São Félix e tendo como referência o texto de divulgação histórica As estradas de ferro nos chãos do Recôncavo: Cachoeira e São Félix no século XIX <disponível em: https://www.rodahistorias.pro.br/post/estradas-ferro-reconcavo>, distribuindo-o entre os estudantes.

Nos sites indicados no item referências será encontrado um material imagético (imagem) que poderá ser utilizado nesta parte da aula.

No final da discussão do texto e exposição do conteúdo sugiro que seja feito um mapeamento dessas estradas de ferro da Bahia, e em especial as do Recôncavo, nos mapas que seguem:



Fig. 1: As estradas de ferro no Estado da Bahia em 1898. Disponível em: http://vfco.brazilia.jor.br/ferrovias/mapas/1898redeBaiana.shtml Acesso em 29 de abr. de 2013. Não consultamos, mas o site indica como fonte provável o livro “Indicador geral da viação do Brazil: Linhas ferreas, fluviaes e maritimas.”, publicado por J. Cateysson pela editora Editores Guillard, Aillaud & Cia em Paris em 1898, subvencionado pelo Ministério da Viação e Obras Públicas.



Fig. 2: Mapa das estradas da Estrada de Ferro Central da Bahia. Sem a linha vermelha, o mapa original foi extraído do Almanaque Brasileiro Garnier, de 1907. A linha vermelha indica as ligações feitas entre os ramais em décadas posteriores. Disponível em: http://www.estacoesferroviarias.com.br/ba_monte%20azul/sfelix.htm. Acesso em: 20 de abril de 2013.

Sexta e sétima aula

Primeiro Passo: Nesta aula recomenda-se mostrar para os alunos a música do cantor e compositor brasileiro, Milton Nascimento, a fim de provocar uma reflexão inicial sobre como a estrada de ferro e a estação podem estar representadas na música.

Composição: Milton Nascimento/ Fernando Brant. Disponível em: http://letras.mus.br/milton-nascimento/47425/. Acesso em: 30 de abr. de 2013.

Antes de começar a passar a música e a distribuição da letra entre os alunos, recomenda-se ao professor que divida a turma em equipes, caso existam aqueles que não queiram pertencer a um grupo cabe ao docente permitir a atividade individual.

Segundo Passo: As equipes deverão fazer uma análise da música, refletindo sobre as dinâmicas das estações, ferrovias. Uma sugestão que fica é estimulá-los a analisar estrofe por estrofe para que possam refletir sobre as diversas dinâmicas que uma estação de trem comporta como, por exemplo, a estrofe “Mande notícias do mundo de lá, Diz quem fica” pode ser interpretada como uma alusão a comunicação rápida que as ferrovias permitiram no século XIX não apenas entre as províncias do Brasil, mas igualmente outras partes do mundo.

Atividade avaliativa

Cabe ao professor pensar em métodos de avaliação. O diário pode ser considerado como um dos instrumentos de avaliação, tendo o professor a preocupação de perceber através deles o nível de absorção do conhecimento, reflexão pessoal e envolvimento com as aulas. A análise da música de Milton Nascimento caso seja escrita ou oral também podem ser usadas como critérios de avaliação do processo de aprendizagem.

Referências

Capítulos de livros

HOBSBAWM, Eric. A revolução industrial. In: A era das revoluções. São Paulo: Paz e Terra, 2009, p.57-95.

__________, Eric. A grande expansão. In: A era do capital. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1982.

FERNANDES, Etelvina Rebouças. Do Mar da Bahia ao Rio do Sertão: Bahia ao São Francisco Railway. Salvador: Secretaria de Turismo, 2006.

Artigos online

AMILCAR, Baiardi; SARAIVA, Luiz Fernando; ALMICO, Rita. Genese e transformação das empresas regionais: o Recôncavo baiano. Recôncavos [Online]. Cachoeira – Bahia, vol. 1, nº 1, p.77-92, 2007. Disponível em: http://www.ufrb.edu.br/reconcavos/edicoes/n01/pdf/baiardi.pdf. Acesso em: 12 de abril de 2013.

SANTOS, Rogério Fátima dos. Ferrovias e indústrias na Bahia: 1860-1920. In: I Encontro Regional de História da ANPUH-BA, 2002, Ilhéus. Anais do I Encontro Regional de História da ANPUH-BA. Ilhéus: ANPUH-BA/UESB, 2002. v. 1, p.1-11. Disponível em: http://www.uesb.br/anpuhba/artigos/anpuh_I/rogerio_fatima.pdf. Acesso em: 12 de abril de 2013.

ZORZO, Francisco Antônio. “Retornando à História da Rede Viária Baiana: o estudo dos efeitos do desenvolvimento ferroviário na expansão da rede rodoviária da Bahia (1850-1950)”. Sitientibus. Feira de Santana. n. 22. jan./jun., p.99-115, 2000.

ZORZO, Francisco Antônio. A Modernização dos Transportes e o Impacto da Ferrovia (1860-1930). In: I Encontro Regional de História da ANPUH-BA, 2002, Ilhéus. Anais do I Encontro Regional de História da ANPUH-BA. Ilhéus: ANPUH-BA/UESB, 2002. v. 1. Disponível em: http://www.uesb.br/anpuhba/artigos/anpuh_I/francisco_antonio_zorzo.pdf. Acesso em: 12 de abril de 2013.

PAULA, Dilma Andrade de. As ferrovias no Brasil. Análise do processo de erradicação de ramais. In: II Congreso de Historia Ferroviaria, 2001, Aranjuez. II Congreso de Historia Ferroviaria, 2001. Disponível em: http://www.docutren.com/archivos/aranjuez/pdf/22.pdf.

Artigos de sites

RAMOS, Jorginho. Há 130 anos começavam as obras de construção da ponte Dom Pedro II. Bahia, 20 de dezembro de 2011. Disponível em: http://vapordecachoeira.blogspot.com.br/2011/12/ha-130-anos-comecavam-as-obras-de.html. Acesso em: 20 de abril de 2013.

_______, Jorginho. Memória discriptiva da construção da imperial ponte Dom Pedro II. Bahia, 28 de junho de 2010. Disponível em: http://vapordecachoeira.blogspot.com.br/2010/06/memoria-descriptiva-da-construcao-da.html. Acesso em: 20 de abril de 2013.

GIESBRECHT, Ralph Mennucci. São Félix. São Paulo, 11 de março de 2012. Disponível em: http://www.estacoesferroviarias.com.br/ba_monte%20azul/sfelix.htm. Acesso em: 17 de abril de 2013.

_____________, Ralph Mennucci. Cachoeira. São Paulo, 10 de fevereiro de 2013. Disponível em: http://www.estacoesferroviarias.com.br/ba_monte%20azul/cachoeira.htm. Acesso em: 17 de abril de 2013.

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